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A importância de soluções bioabsorvíveis para otimizar os resultados cirúrgicos e reduzir custos hospitalares
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A importância de soluções bioabsorvíveis para otimizar os resultados cirúrgicos e reduzir custos hospitalares

02 de outubro de 2026Bruno RizzoBruno Rizzo

O custo de um material se decide na compra. O custo de uma complicação se decide na sala — e aparece meses depois, em outro centro de custo, sem que ninguém o atribua à cirurgia que o gerou.

Toda instituição sabe quanto custa o material que comprou. Quase nenhuma sabe quanto custou a complicação que ele teria evitado — porque esse valor não chega a ser um número. Ele se dilui em tempo de sala de uma reoperação, em dias de permanência, num material que entrou pela segunda vez, e é lançado como custo da cirurgia nova, não da antiga.

É uma assimetria contábil, não clínica. O gasto com prevenção é visível, concentrado e tem dono. O gasto com a complicação é difuso, adiado e órfão. Quando as duas coisas competem pelo mesmo orçamento, a visível perde — mesmo quando é a menor.

Este texto é sobre como fechar essa conta. Não traz valores em reais, e a seção final explica por quê.

Onde o custo reaparece

Materiais bioabsorvíveis — barreiras de adesão, carreadores de antibiótico, substitutos ósseos — têm em comum o fato de cumprirem uma função e desaparecerem. O impacto econômico disso se concentra em três lugares.

1. O segundo procedimento que não acontece

É o mais direto de todos, e o único que não depende de estimativa: um material bioabsorvível não precisa ser retirado. Não há reabordagem programada, não há sala reservada, não há anestesia, não há mais um dia de internação.

Vale para toda a linha. O PerOssal®, carreador de antibiótico usado no manejo de osteomielite e infecção periprotética, libera o antibiótico localmente por até 10 dias e é absorvido — enquanto sendo osteocondutor, favorece a nova formação óssea no mesmo tempo. Os géis da linha FzioMed agem durante a fase crítica da cicatrização e somem depois.

Quando a alternativa é um material permanente que exigiria remoção, o cálculo é uma subtração simples de um procedimento inteiro. Poucas decisões de compra têm um efeito tão limpo de medir.

2. A reoperação que ficou mais difícil

Este é o custo que a contabilidade nunca liga à cirurgia de origem. Aderência e fibrose transformam uma reabordagem previsível numa reabordagem lenta: os planos não estão onde deveriam, a dissecção demora, o risco de lesão durante a liberação aumenta. Isso é tempo de sala, é equipe parada, e às vezes é uma complicação nova.

Os estudos que embasam o Oxiplex/AP trazem a dimensão do problema:

Número O que representa
93% das aderências — acontecem em cirurgias abdominais e ginecológicas
+70% resultam em complicação — relacionada à própria aderência
até 80% de redução no score AFS — da Sociedade Americana de Fertilidade, com o gel de barreira

Fonte: estudos que embasam o Oxiplex/AP, conforme material do fabricante FzioMed. Referências a anexar antes da publicação.

A régua de comunicação que a LAS envia aos ginecologistas resume assim: as aderências pós-operatórias são mais frequentes — e mais custosas — do que costumamos considerar. Para quem administra o centro cirúrgico, “mais custosas” tem tradução direta em minutos de sala.

3. O procedimento que foi adiado

O terceiro caso é o de maior valor absoluto e o mais difícil de atribuir, porque o benefício aparece anos depois. Na osteonecrose da cabeça femoral, nos estágios Ficat I e II — antes do colapso —, a descompressão com enxerto ósseo leva a sobrevida da cabeça femoral a 81%, e pode adiar a artroplastia total de quadril.

Adiar uma artroplastia em um paciente jovem não é economia de um procedimento: é economia da revisão que aquela prótese exigiria mais tarde, quando ela chegasse ao fim da vida útil dentro de alguém que ainda tem décadas pela frente. Não são procedimentos concorrentes — são óticas complementares, para pacientes em momentos diferentes.

A comparação que fecha a conta

A LAS ensina essa conta aos seus distribuidores, e vale trazê-la para cá porque é exatamente o argumento que interessa a quem aprova compra. Quando aparece a objeção “o hospital não vai aprovar”, a resposta orientada é:

Compare o custo da cânula com o de uma segunda cirurgia no sítio doador — infecção, readmissão.

Material de campo da LAS, quebra de objeção do QuickDraw

É uma frase de venda, e é também a formulação mais honesta do problema: a comparação correta nunca é material × zero. É material × o que acontece na ausência dele, ponderado pela probabilidade de acontecer. Só que o segundo termo raramente é calculado, então a comparação vira material × zero por omissão — e nessa comparação nenhum material se justifica.

O mesmo raciocínio aparece do lado da técnica: a coleta percutânea de enxerto autólogo com o QuickDraw usa incisão de 1 a 2 cm, contra 8 a 10 cm da técnica aberta, num sistema com mais de 40 mil casos. Incisão menor é desfecho clínico e é, ao mesmo tempo, menos morbidade no sítio doador — que é onde mora o risco de reabordagem.

O custo que não é clínico: a glosa

Há uma perda que não tem nada a ver com desfecho e que consome margem hospitalar de forma silenciosa: o material foi indicado corretamente, usado corretamente, e glosado — porque a solicitação foi descrita de forma que a fonte pagadora não aceitou.

A melhor tecnologia não chega ao paciente se a solicitação empaca. E quando ela chega mas a solicitação estava errada, quem paga é a instituição.

É um problema de processo, não de produto: o que a instituição costuma pedir, como descrever a indicação, quais documentos evitam a glosa, quais códigos usar. A LAS mantém um guia sobre esse caminho e acompanha a primeira solicitação junto com a equipe — o que costuma ser mais determinante, na prática, do que qualquer argumento clínico.

A conta é sua

Este texto não traz valores em reais de propósito. Custo de minuto de sala, diária, taxa de reoperação e taxa de glosa variam demais entre instituições, entre fontes pagadoras e entre regiões para que um número publicado signifique alguma coisa na sua realidade — e um número inventado seria pior do que nenhum.

O que dá para oferecer é a estrutura. Para avaliar um bioabsorvível na sua instituição, são cinco variáveis, todas disponíveis internamente:

  • Custo do material por procedimento — o único termo que já está na mesa hoje.
  • Incidência local da complicação que ele previne, na sua casuística, não na literatura.
  • Custo médio da reabordagem — sala, equipe, material, anestesia.
  • Permanência adicional associada à complicação, em diárias.
  • Taxa de glosa do item na sua principal fonte pagadora — que pode anular o resto da conta sozinha.

Com essas cinco, a decisão deixa de ser uma disputa entre um custo visível e um risco abstrato, e passa a ser aritmética.

O que este texto não está dizendo

  • Não é promessa de economia. O resultado depende da indicação, da técnica, do perfil dos pacientes e da incidência real de complicação na sua casuística. Em serviço com baixa incidência, a conta pode não fechar — e isso é uma resposta legítima.
  • Não substitui técnica cirúrgica. Manipulação delicada, hemostasia e tempo cirúrgico continuam sendo os principais determinantes de complicação. Material nenhum compensa isso.
  • Não vale para qualquer caso. Cada produto tem indicação e contraindicação em bula, e é destinado ao profissional habilitado.

Se quiser montar essa conta com os números da sua instituição, nosso time faz esse trabalho junto com a sua equipe — inclusive a parte chata, que é o caminho da solicitação sem glosa. É onde mais coisa destrava na prática.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde habilitados. Produtos de uso sob prescrição e responsabilidade médica.

Bruno Rizzo

Bruno Rizzo

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